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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aborto

A mulher tem direito sobre seu corpo. Mas ela tem direito sobre seu feto?
 
O feto faz parte do corpo da mulher?
Não, o DNA do feto é diferente do DNA da mãe, o que caracteriza outro corpo.
 
O feto é um ser vivo?
Sim, o feto é dotado de células vivas, organizadas e funcionais.
 
O feto é a mesma coisa que um tumor?
Não, um tumor é composto por células do próprio corpo da pessoa e possui um crescimento desordenado, não gerando novos órgãos ou tecidos funcionais. Já o feto é dotado de células diferentes do corpo da mãe, possui crescimento organizado, gerando seu próprio corpo com órgãos e tecidos funcionais.
 
O feto é um ser humano?
Sendo o feto um ser vivo, com DNA humano completo e diferente do DNA da mãe, então o feto é um ser humano.
 
O feto tem consciência?
Sim, em determinado estágio da gestação o feto tem consciência, só não se sabe exatamente em qual estágio. De qualquer forma, sabemos que o feto, em algum momento, passará a ter consciência se não for interrompida a gestação por causas naturais ou artificiais.
 
Lembrando que todos nós um dia fomos um feto e, apesar de tudo, estamos muito contentes de nossas mães não nos ter abortado, por mais dificuldades que ela tenha passado na gravidez e na nossa criação.
 

domingo, 17 de março de 2013

Quem tem o ônus da prova, ateístas ou teístas?

A maioria dos ateus que conversei costuma dizer que se alguém tem que provar alguma coisa, esse alguém seria então a pessoa que crê em Deus. Eu entendo que essa afirmação vem do seguinte raciocínio; nós vivemos num mundo onde descobrimos as coisas a nossa volta através do uso dos cinco sentidos, e dessa forma interagimos com as coisas. Aí surge alguém dizendo que existe um ser (ou seres) que não se pode ver, ou ouvir, ou tocar, etc. Então o natural seria a seguinte reação: Ah existe esse ser? Então prova!
 
Eu costumo concordar com esse raciocínio, mas como diria o cético, “Há controvérsias!”. Acontece que muitos cientistas ateus, principalmente da área da biologia, afirmam que a natureza é formada por seres o objetos que possuem a aparência de design, ou seja, que parecem terem sido projetados propositalmente. Como vemos na seguinte afirmação de Richard Dawkins:

Biologia é o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido projetadas para uma finalidade.
 
Ele continua:
 
[...]Os resultados vivos da seleção natural nos impressionam irresistivelmente com a aparência de design como se de um mestre relojoeiro[...]
 
Acredito que essa afirmação inverte totalmente a questão do ônus da prova. O que o ateu está dizendo é que vivemos num mundo onde o natural é imaginar que as coisas foram criadas por alguém, um universo que não surgiu por acaso, mas propositalmente. Então, se a inferência de design é tão óbvia e tão natural (irresistível diz Dawkins), por que então rejeitar essa conclusão, a de que um ser projetou o universo? Por que não seguir o que nosso instinto e tudo a nossa volta está nos dizendo, que o universo foi criado propositalmente? Agora quem tem que dar uma explicação é os ateístas, e não os teístas. A não ser que o ateu negue a aparência de design do universo, indo contra os mais influentes cientistas da atualidade.
 
Para completar o assunto eu gostaria de falar da minha fé no Deus revelado em Cristo. Pois independente de quem tem o ônus da prova, se um teísta disser que pode provar que deus existe, ele não está falando do mesmo Deus que eu creio. O Deus revelado em Jesus é um Deus que só se relaciona através da fé. É um Deus que não pode ser provado, pois não pode ser reduzido. A fé é um dos dons mais belos e mais importantes na teologia cristã, e um deus cientificamente provável excluiria a fé. Portanto para se relacionar com Deus é preciso crer que ele exista, é preciso dar o pequeno passo que sai da região de conforto da lógica humana, dos modelos matemáticos, algorítmicos, lógicos, racionais. E passar para região onde o conforto é confiar que Deus sabe o que faz, que temos um Pai mais que “super-homem” para nos salvar, não dos perigos do mundo, mas de nós mesmo, pois somos crianças que insistem em por o dedo na tomada, por a mão no fogo, andar em beiras de precipícios...
 
Portanto, eu não sei quem tem o ônus da prova, ateístas ou teístas, mas não me preocupo mais com isso, pois sei em quem tenho crido.
 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Reflexões sobre a ciência 3

Acredito que este será o último post dessa série de reflexões sobre a ciência, farei minhas considerações finais sobre o que penso do assunto.

No primeiro post da série eu falei sobre a ciência não tratar de verdades absolutas, mas sim de modelos cuja única relação que eles têm com a realidade é uma capacidade limitada de previsão de um evento real. Isso não significa que o modelo seja uma descrição exata e perfeita da realidade por trás do evento modelado. A ideia fica clara se pensarmos na física Newtoniana, que trata de modelos que descrevem muito bem uma gama de eventos reais, mas que Einstein depois mostrou estar faltando um detalhe, e assim complementou o modelo inserindo novas informações.  O modelo de Newton continua sendo usado, mas sabemos que não é uma descrição perfeita e exata da realidade. O mesmo pode acontecer um dia com o modelo de Einstein, com novas pesquisas e dados inserindo mais fatores ao modelo, e isso acontecer infinitamente sem que nunca se chegue ao modelo final que realmente seja a descrição do que está por trás dos eventos reais.
Podemos então, a partir desse ponto, dar mais um passo e perceber que o modelo criado cientificamente não obriga a realidade a se comportar da maneira prevista. Quero dizer que o modelo não garante que a realidade sempre se comportou, se comporta e sempre se comportará da maneira prevista por ele.  O modelo nos diz que todas as vezes que o evento foi repetido de forma controlada, medido e registrado, a realidade se comportou da mesma maneira, mas ele não nos diz nada sobre os eventos nunca registrados. Isso é um exemplo do chamado problema da indução.  Concluímos então que o êxito de um modelo é algo totalmente estatístico, uma estatística de 100%, mas ainda sim uma estatística. É como uma pesquisa eleitoral, mesmo que um candidato tenha 100% de aceitação na pesquisa, nós sabemos que é possível que os outros candidatos recebam um número considerável de votos na eleição real.
Por fim, a ciência também precisa lidar com hipóteses não testáveis, e isso pode gerar muita confusão até mesmo para os melhores cientistas. Por exemplo, quando falamos de eventos passados não reproduzíveis ou verificáveis. Nestes casos não podemos falar em provas, mas em evidências a favor e contra. A ideia é juntar os fatos e verificar se as evidências a favor de tal hipótese estão mais próximas da realidade esperada, e também explicar como as evidências contrárias se encaixam no modelo proposto. Assim, com uma análise criteriosa, podemos dizer que tal evento passado possivelmente aconteceu de tal maneira. Nada impede que novas evidências surjam e mude o rumo das coisas, então novos modelos devem ser pensados para encaixar os novos dados. Portanto, quando estamos falando de eventos passados dos quais não se tem um registro criterioso, como, por exemplo, o “big bang” e a evolução a partir de um único ancestral comum, devemos mais ainda ter o cuidado, e a humildade, de não tratar como fatos ou verdades comprovadas, mas sim como hipóteses a ser constantemente avaliadas.
Concluindo então a série de posts, temos a ciência com seu escopo bem definido, assumindo as crenças necessárias para se fazer ciência, e desmistificando supostas verdades absolutas, podemos fazer melhor ciência, mais humilde e realista, focando no que realmente importa. Assim temos a pesquisa científica como uma fascinante forma de se obter conhecimento útil para a humanidade.

Fonte da imagem: http://jjkiefer.deviantart.com/art/Albert-Einstein-285400074

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Reflexões sobre a cência 2

Todo conhecimento útil deve ser fornecido pela ciência?
 
O que estou querendo dizer com essa pergunta é se a ciência é a única fonte confiável de conhecimento, ou ainda se tudo que não é comprovado cientificamente deve ser menosprezado. Essa é uma ideia recorrente nos meios científicos, mas deve ser analisada com cuidado para não cairmos em contradição, afinal a ciência depende de conhecimento não comprovado cientificamente, e é isso que eu pretendo mostrar aqui.
 
Por exemplo, toda inferência científica se baseia em duas áreas do conhecimento: a lógica e a matemática. De fato, essas duas áreas são a base da ciência teórica e experimental e por esse mesmo motivo é que não se pode comprovar cientificamente nenhuma delas. Seria um argumento circular, do tipo “a galinha é quem bota os ovos, mas são dos ovos que nascem as galinhas”, ou seja, não se chega a lugar nenhum. Por isso dizemos que a lógica e a matemática são consideradas verdades a priori, são conhecimentos tidos como verdadeiros, mas que não são derivados dos dados científicos.
 
Outras formas de conhecimento que usamos todos os dias, mas que não podem ser comprovadas cientificamente, são as ideias de beleza, razão, sentimento e moral. Não se pode provar através de dados científicos que uma paisagem ou o por do sol são belos, ou que a razão, ou consciência, que temos é fruto de meras reações químicas no nosso cérebro. Caso contrário, seriamos mais parecidos com autômatos, escravos da química, do que seres pensantes que somos. Da mesma forma não se pode reduzir sentimentos a meras reações químicas, eu pelo menos nunca diria que o amor que sinto pela minha esposa é apenas reações químicas no meu cérebro. Ela pediria o divórcio. Também não se pode comprovar cientificamente o que é bom e o que é mau, apesar de todo mundo concordar que ajudar as pessoas necessitadas é algo bom, e estuprar uma criança é algo mau.
 
Se formos mais a fundo, passo a falar de um conceito complicado, e até polêmico, por isso espero me expressar com clareza. Acontece que a ciência só pode existir se dermos o primeiro e pequeno passo no escuro, o que eu chamaria de ato de fé. E esse passo é a crença de que o Universo, e tudo que nele há, é compreensível e modelável em forma de equações e teorias. Sem esse pequeno passo, nós não poderíamos fazer ciência, também acredito que o boom da ciência só ocorreu no ambiente europeu devido à compatibilidade entre essa crença e cultura europeia da época. Para ser mais claro, o que eu estou querendo dizer é que não se pode provar cientificamente que o Universo é regular e inteligível, pois é necessário tomarmos isso como verdade para poder fazer ciência, e novamente seria uma falácia de argumento circular.
 
Dito tudo isso, podemos então dizer que existe sim conhecimento útil que não se deriva de dados científicos, caso contrário, a própria ciência não existiria. No próximo post eu gostaria de falar sobre as “verdades” e as “provas” científicas. Será que elas não têm sido superestimadas pela sociedade, mídia e até mesmo pelos próprios cientistas?
 
Abraço a todos, que Deus os abençoe!

Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Radiometer_9965_Nevit.gif

sábado, 5 de janeiro de 2013

Reflexões sobre a ciência

O que é ciência e qual seu escopo?

Gostaria de falar um pouco sobre ciência, e acredito que isso leve mais do que um post, mas será algo espontâneo e quero que seja assim, portanto não sei dizer quantos posts vou escrever sobre esse assunto.

Inicialmente eu gostaria de dizer que me interesso muito por ciências, no colegial as matérias de física, química e biologia eram minhas preferidas, e sou estudante de Engenharia Elétrica. Portanto não sou um cientista, mas uma pessoa que gosta e acompanha as descobertas científicas. Lembrando também que Charles Darwin era teólogo e hoje é considerado um grande cientista, acredito que um leigo como eu também pode falar sobre ciência.

Mas afinal, o que é Ciência? Ou o que quero dizer por Ciência?

Acredito que o conceito que tenho de o que é ciência veio do que os melhores professores que tive me ensinaram. A ciência seria uma tentativa do homem de modelar os eventos da natureza, de forma que sejam buscados os modelos que melhor se aproximam do evento em si. Dessa forma a ciência não é a busca da Verdade ou mesmo de alguma verdade, mas de teorias e equações que mostram um poder de previsão para algum evento, ou a melhor explicação para um fato. Acho que esse conceito, aceito por muitos cientistas, desmitifica muito a ideia de que a ciência são revelações da Verdade, ou descrições exatas da realidade. 

A partir desse conceito, podemos encontrar qual é o escopo da ciência, ou seja, quais assuntos fazem parte de sua investigação. A ciência busca entender os eventos da natureza, em termos físicos, químicos, biológicos e a interação destes. Dessa forma, a ciência nos tem muito a dizer sobre os astros, ondas eletromagnéticas, elementos químicos que formam a natureza, funcionamento biológico e bioquímico dos organismos, etc.. A ciência tem pouco ou nada a dizer sobre beleza, sentimento, moral, espiritualidade, propósito , etc..

Um problema grande a meu ver é quando a ciência quer opinar sobre assuntos fora de seu escopo, por exemplo tentando reduzir coisas que fogem à ciência, ao funcionamento de seus elementos básicos. É como tentar explicar o conteúdo de um livro usando as propriedades do papel e da tinta. Obviamente isso seria um fracasso. 

A ciência é uma ótima forma de se conquistar conhecimento mas não é a única, também ela depende de uma base de conhecimentos prévios. Mas deixo esse assunto para ser tratado no próximo post.

Abraços a todos! Paz e graça estejam sobre vocês!

Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Filamento_incandescente_de_una_bombilla.jpg