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domingo, 17 de março de 2013

Quem tem o ônus da prova, ateístas ou teístas?

A maioria dos ateus que conversei costuma dizer que se alguém tem que provar alguma coisa, esse alguém seria então a pessoa que crê em Deus. Eu entendo que essa afirmação vem do seguinte raciocínio; nós vivemos num mundo onde descobrimos as coisas a nossa volta através do uso dos cinco sentidos, e dessa forma interagimos com as coisas. Aí surge alguém dizendo que existe um ser (ou seres) que não se pode ver, ou ouvir, ou tocar, etc. Então o natural seria a seguinte reação: Ah existe esse ser? Então prova!
 
Eu costumo concordar com esse raciocínio, mas como diria o cético, “Há controvérsias!”. Acontece que muitos cientistas ateus, principalmente da área da biologia, afirmam que a natureza é formada por seres o objetos que possuem a aparência de design, ou seja, que parecem terem sido projetados propositalmente. Como vemos na seguinte afirmação de Richard Dawkins:

Biologia é o estudo de coisas complicadas que dão a aparência de terem sido projetadas para uma finalidade.
 
Ele continua:
 
[...]Os resultados vivos da seleção natural nos impressionam irresistivelmente com a aparência de design como se de um mestre relojoeiro[...]
 
Acredito que essa afirmação inverte totalmente a questão do ônus da prova. O que o ateu está dizendo é que vivemos num mundo onde o natural é imaginar que as coisas foram criadas por alguém, um universo que não surgiu por acaso, mas propositalmente. Então, se a inferência de design é tão óbvia e tão natural (irresistível diz Dawkins), por que então rejeitar essa conclusão, a de que um ser projetou o universo? Por que não seguir o que nosso instinto e tudo a nossa volta está nos dizendo, que o universo foi criado propositalmente? Agora quem tem que dar uma explicação é os ateístas, e não os teístas. A não ser que o ateu negue a aparência de design do universo, indo contra os mais influentes cientistas da atualidade.
 
Para completar o assunto eu gostaria de falar da minha fé no Deus revelado em Cristo. Pois independente de quem tem o ônus da prova, se um teísta disser que pode provar que deus existe, ele não está falando do mesmo Deus que eu creio. O Deus revelado em Jesus é um Deus que só se relaciona através da fé. É um Deus que não pode ser provado, pois não pode ser reduzido. A fé é um dos dons mais belos e mais importantes na teologia cristã, e um deus cientificamente provável excluiria a fé. Portanto para se relacionar com Deus é preciso crer que ele exista, é preciso dar o pequeno passo que sai da região de conforto da lógica humana, dos modelos matemáticos, algorítmicos, lógicos, racionais. E passar para região onde o conforto é confiar que Deus sabe o que faz, que temos um Pai mais que “super-homem” para nos salvar, não dos perigos do mundo, mas de nós mesmo, pois somos crianças que insistem em por o dedo na tomada, por a mão no fogo, andar em beiras de precipícios...
 
Portanto, eu não sei quem tem o ônus da prova, ateístas ou teístas, mas não me preocupo mais com isso, pois sei em quem tenho crido.
 

domingo, 28 de outubro de 2012

O Replicador Mutante



Há bilhões de anos, numa sopa orgânica não muito distante daqui...

[Música do Star Wars]

Na alvorada dos tempos os dois deuses (Tempo e Acaso) viviam um
conflituoso romance cósmico. A terra, recém-formada, recebia diretamente
o impacto desse conflito amoroso, sendo então bombardeada com raios
ultravioleta, erupção de supervulcões, chuvas torrenciais e gigantescos
relâmpagos. A paixão e a ira dos deuses eram implacáveis.

A atmosfera redutora da terra, ao receber toda essa energia,
milagrosamente criava todo tipo de macromoléculas complexas, todas elas
inúteis, mas divinamente protegidas para não se dissolverem na água.
Cansados desse tédio de criar moléculas inúteis, Tempo e Acaso decidiram
usar seus poderes divinos e conceder a uma mísera molécula a capacidade
auto replicante. E assim, quase sem querer, surgiu o primeiro filho dos
deuses, o Replicador Mutante.

Como bom filho que era, a primeira coisa que o Replicador Mutante fez foi
desobedecer aos pais, e saiu criando cópias de si mesmo
desgovernadamente. Como as cópias também podiam se replicar, a coisa logo
perdeu o controle, e uma progressão geométrica de cópias passou a povoar
a pequena sopa orgânica. Com o processo desgovernado, muitas cópias saíram
com defeito, aparecendo pequenas diferenças entre os replicadores.

O meio então ficou povoado e os recursos escassos, e assim passou a haver
competição entre os replicadores. Para contornar o problema da escassez,
os deuses criaram um método de extermínio em massa, onde permanece vivo o
replicador que tiver as modificações mais adaptadas ao meio competitivo.
E assim ao longo de bilhões de anos, o Replicador Mutante foi se
modificando, se adaptando, passou a ser célula, ganhou funções novas,
outros decidiram juntar muitas células, com outras novas funções.

A afronta aos deuses parecia ter acabado. Mas Tempo e Acaso se
descuidaram de sua criação, e as muitas modificações e adaptações que o
Replicador Mutante sofreu acabaram gerando uma cópia capaz de destruir a
si mesma, as outras cópias e a própria terra. E este vil Replicador sou
eu que vos escrevo, também é você que está lendo, e tudo o que
chamamos de humanidade.

OBS: Esta fábula faz parte do cânon da religião naturalista, e deve ser respeitada como toda manifestação de fé.

Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:DNA_methylation.jpg